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A REFORMA E SUA INFLUÊNCIA NA HISTÓRIA DA IGREJA

A poucas semanas atrás assisti um vídeo que virilizou nas redes sociais. No conteúdo, um padre defendia a autoridade da igreja sobre a Bíblia, sob o argumento de que a Bíblia foi escrita pela igreja, que, por sua vez, teria a autoridade máxima, acima da própria Bíblia para determinar as diretrizes da vida cristã. Foi justamente esse pensamento equivocado que transformou uma igreja viva e poderosa, que era a igreja primitiva, em um mar de densas trevas, ignorância e tanta corrupção que colocaria os políticos do Brasil no jardim de infância. Foi essa igreja suja, corrupta e sem vida que dominou toda a idade média, justamente chamada de idade das trevas, pois a luz da igreja se apagou. Infelizmente, essa igreja fez coisas em nome de Jesus que até o diabo duvida.

Martinho Lutero

No ano de 1483, no dia 10 de novembro, em Eisleben na Alemanha, nascia Martin Luther, conhecido no Brasil como Martinho Lutero. Lutero tornou-se um estudante exemplar na sua juventude, mas acabou abandonando os estudos e se tornando um monge da ordem dos Agostinianos para pagar uma promessa. Como um bom estudante que era, aprofundou-se nas disciplinas espirituais, mas principalmente, se dedicou ao estudo das Escrituras e isso o levou a entender que a Bíblia não era apenas um livro de cabeceira, mas verdadeiramente a Palavra de Deus. Isso levou o monte agostiniano à beira da loucura, pois se via refém de um sistema que agia em nome de Cristo, mas mantinha seu poder através da opressão e da mentira. A igreja católica oprimia, roubava, matava em nome de Deus, vendia indulgências, substituía a verdade pela mentira e mantinha o controle dos fiéis espalhando o terror, ameaçando-os com o fogo do inferno. Além disso eles inseriram a idolatria na igreja, fazendo o que é abominável a Deus e ferindo os dois primeiros dos dez mandamentos de Êxodo 20. Ao conhecer as escrituras, Lutero descobriu que todas essas coisas propagadas pela igreja católica não passava de invenções humanas e foi assim que começou a reforma; com um monge meio alucinado e deprimido que só queria fazer a coisa certa e agradar a Deus a qualquer custo. Evidentemente, a reação da igreja foi enérgica, pois havia muito em jogo. A essas alturas, a farsa da igreja católica já durava cerca de 1200 anos e, como nós sabemos, o mundo não está cheio de pessoas que estão dispostas a abrir mão do poder por causa da verdade.

Lutero foi pressionado e ameaçado de morte várias vezes. Quando ele estava sendo julgado pela cúpula da igreja, eles colocaram diante dele uma mesa cheia de cópias de seus escritos e exigiram que ele os repudiasse publicamente e repelisse os “erros” contidos neles. Caso ele não concordasse em fazer isso, a pena seria a morte. Diante dessa situação, a resposta de Lutero foi do tipo que ecoou pelos séculos e mudou o curso do verdadeiro cristianismo. Ele respondeu: “Se vocês me convencerem mediante testemunho das Escrituras e claros argumentos que estou errado, então eu renunciarei meus argumentos. Mas tem de ser mediante as Escrituras e não dos argumentos do Papa, nem dos concílios, já que está provado que estão errados, contradizendo-se a si mesmos. Minha consciência está submetida aos textos da Sagrada Escritura que citei, e estou unido à palavra de Deus. Por isto, não posso nem quero repudiar nada, porque fazer algo contra a consciência não é seguro nem saudável.” Mediante essas palavras de Lutero nascia uma nova era de cristãos; aqueles que acreditam que a Bíblia é a palavra de Deus, absolutamente verdadeira e a autoridade máxima do Cristianismo.

Título da imagem: A vida de Martinho Lutero

Essa é a maior influência da Reforma Protestante na igreja evangélica atual – o regate da autoridade da Bíblia, que é nossa única regra de fé e tem toda autoridade para estabelecer os princípios e a conduta do povo de Deus. Em poucas palavras, a reforma representa o resgate da autoridade das escrituras na igreja. Para quem não sabe, essa é a grande diferença entre os católicos e evangélicos. Os católicos acreditam que a autoridade máxima do cristianismo é a igreja, mas os evangélicos atribuem essa autoridade à Palavra de Deus. Interessante é que Lutero, na verdade, nunca quis romper com a igreja católica; essa nunca foi sua intenção. O que ele queria era reformar a igreja católica e trazê-la de volta a vida, renunciando todas as práticas contrárias à Palavra de Deus. Mas infelizmente, isso jamais aconteceu.

Quanto aos desdobramentos da Reforma, nem de perto, ela levou a igreja protestante à unidade como se esperava. Na verdade, as várias interpretações da Bíblia acabaram sendo a maior fonte de divisão na igreja protestante até os dias de hoje, mas essa é uma outra história.

 

 Bispo Jonatas Fernandes da Silveira

 Formado em psicologia pela PUC – Goiás, e mestre em Liderança Global pela Dallas Baptist University (DBU) – Dallas/EUA.

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