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REFORMA PROTESTANTE: O GRITO DO EVANGELHO

Na semana em que nos lembramos do histórico movimento conhecido como reforma protestante – neste ano de um modo singular, haja vista terem se passado 500 anos desde seu ápice em 1517, com o expoente dos reformadores, Martinho Lutero -, é salutar reservar alguns minutos (ainda que poucos) para averiguar o que houve naqueles dias e, sobretudo, de que maneira o espírito da reforma pode (e deve) nos influenciar hoje.

Não há dúvidas de que inúmeras matérias históricas e teológicas podem ser abordadas a partir das transformações ocorridas com a reforma protestante, todavia, vou me atrever a uma síntese absurda, para falar de algo que emerge como um dos efeitos mais benéficos de todo o movimento reformista: a libertação do evangelho.

O evangelho de Deus é uma boa notícia por natureza. É um anúncio do Pai aos homens, que deveria se recebido, sempre, como a maior (mais bela e mais empolgante) de todas as proclamações. Se fossemos encaixar a mensagem do evangelho nos moldes de uma lead[1], talvez ficasse assim:

“Jesus de Nazaré, o Cristo, Filho do Deus vivo, morre em uma cruz nas proximidades de Jerusalém, após ser cruelmente castigado. O fato ocorreu por volta do ano 29 da era inaugurada pelo próprio Jesus. O motivo da morte é o amor do Pai do crucificado Jesus por todos os seus executores, inclusive, eu e você”.

A vitória de Cristo imputada a nós em forma de libertação, unicamente, pela graça de Deus, mediante a fé, bem como todos os seus desdobramentos (justificação, filiação, santificação e glorificação), compõem a boa notícia de que a nossa salvação, na verdade, nada tem a ver conosco, mas, sim, com Ele. O próprio Deus providenciou para si o sacrifício que fosse suficiente para afastar de sobre nós a sua ira pelos nossos pecados: Jesus “é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos pecados do mundo inteiro” (I Jo. 2.2).

Todavia, essa mensagem que inspira alegria e libertação estava submersa no mar da religião, do cerimonialismo e de tantas outras coisas que só dano causa ao brilho do evangelho. Mas, o grito de socorro foi ouvido por homens incendiados pelo Espírito da vida, que se manifesta pelas Escrituras.

O incomodo existencial gerado neles, pela incoerência entre a verdade revelada e a prática distorcida e corrompida, resultou não em uma simples revolta institucional, antes, na libertação do poder de Deus para salvação de todo aquele que crê, isto é, do evangelho.

Sei que são muitos os fundamento que permanecem para nós hoje, contudo, se a luz do passado deve nos iluminar em algum coisa nesses dias, que seja nesse zelo pela boa notícia que é o evangelho; na luta pela coerência das nossas práticas corriqueiras e a verdade revelada nas Escrituras.

Que, assim como Paulo, Lutero e tantos outros, possamos encher o peito para dizer: “Eu me orgulho (ou se preferir na forma negativa, não me envergonho) do evangelho!!!” Porque ele está centrado somente em Cristo, se fundamenta apenas na Graça, é acessível unicamente pela Fé, está contido exclusivamente nas Escrituras e resulta em Glória apenas e tão somente a Deus.

[1] Primeiro parágrafo de uma notícia, que sintetiza o ocorrido, respondendo a seis perguntas: Quem? Onde? O que? Como? Quando? Por quê?

Rafael Oliveira Duarte

 Advogado pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e Aluno do Instituto Bíblico MLP – Fama

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